Mobilização Passiva

Salve gente bonita do meu coração! Vamos continuar falando sobre mobilização passiva? Vocês estão comigo? Eu ouvi um ameeeeeeeeeeeeeeeeeemmmmm?????

Então vamos a mais um dedinho de prosa sobre esse tema tão importante! Mas agora, falaremos sobre a abordagem, começando pela mobilização passiva. 

Uma vez, um médico amigo, fez uma infecção grave, evoluiu em sepse e ficou dias internado na UTI, com kit confusão completo: sedação, intubação, acesso central e todas as drogas do mundo. Poliesculhambação total! Quando ele voltou ao trabalho, perseguia os fisioterapeutas. Ele relatava o quanto se sentia melhor, com menos dor e só sabia que estava vivo, quando era mobilizado passivamente e tinha todas essas sensações ainda sob sedação profunda. Contou que uma vez, a fisioterapeuta mobilizou a perna esquerda, e não fez na direita e aí a pobre perna esquecida gritava: “olha eu aquiiiiii, volta por favor! Volta! Não me abandone!” Então, uma das missões de vida dele como intensivista, passou a ser, não permitir que os pacientes ficassem completamente imobilizados no leito, dizia. 

Em todos os congressos, todas os periódicos relevantes, o tema é recorrente. Parece mantra: mobilizar, mobilizar, mobilizaaaaaaarrrrrr...lembra da revascularização da minha avó? Ahhh! se eu soubesse disso naquela época! Se ela pedisse água ia manda-la buscar, se duvidasse eu que ia ficar deitada pedindo coisas, terapeuticamente, é claro! Recomendação estritamente fisioterapêutica.  Entre os benefícios descritos na literatura sobre mobilização precoce estão, a redução no tempo de VM, da incidência de pneumonia associada à ventilação mecânica, de lesões cutâneas, de dias de internação e UTI, do tempo de delirium e melhora da função física na alta hospitalar. 

Não há consenso claro sobre a prescrição ideal para pacientes em UTI, no entanto, o Colégio Americano de Medicina Esportiva propõe um programa básico. O programa deve incluir uma prescrição de intensidade, volume e frequência para cada paciente para otimizar os benefícios da atividade física, mesmo para pacientes internados em UTI e aqueles com insuficiência respiratória. No entanto, não existem guias ou práticas bem estabelecidas para mobilização precoce e progressiva na UTI. Determinar o início e a progressão ideais dos exercícios físicos podem melhorar os efeitos benéficos do protocolo. MAS E A MOBILIZAÇÃO PASSIVA? PODE? TEM EFEITOS? 

Em um ensaio clínico randomizado publicado agorinha mesmo em 2019, Schujmann e col aplicaram um protocolo de mobilização progressiva em doentes internados na UTI. Nos doentes não responsivos, classificados como nível 1, foi instituído o protocolo:  cicloergômetro passivo para membros inferiores, mobilização passiva do membro superior, flexão do quadril e alongamento isquiático tibial e estimulação elétrica funcional simultânea (FES) nos músculos do quadríceps direito e esquerdo e alterações posturais: transferência passiva de decúbito. Os participantes somente passavam para o nível 2 do protocolo quando apresentam nível de consciência suficiente para responder aos comandos. Os resultados da avaliação para a mudança de nível do protocolo concluíram, que apesar da mobilização passiva não produzir contração muscular, foi demonstrado por meio de ultra-sonografia dopller, que houve aumento do volume de fluxo venoso na bomba sural, significativo aumento da frequência cardíaca, do duplo produto e do mVO2. Reduziu a contratura muscular, manteve em bons níveis a mobilidade articular e preparou o doente para o próximo nível de intervenção. 

A mobilidade e o exercício na UTI devem ser realizados com intensidade, quantidade, duração e frequência ajustadas de acordo com o status do paciente. Os estudos recentes demonstram que a mobilização passiva tem relevantes efeitos nos doentes permanentemente não responsivos, e fazem parte do protocolo evolutivo daqueles que tem prognóstico de recobrar o nível de consciência. 

Ta vendoooo! como o meu amigo médico portador da agenesia do anjo da guarda (fala sério! infecção e sepse em adulto jovem é porque o anjo da guarda moscou!) tinha e tem toda a razão! Não deixa o fisio sair sem mobilizar messsmooooooo!!!!! Mas pra vocês que seguem a fisiointensiva nem precisa de perseguição médica! Vocês sabem de tudo, e ainda tudo baseado em evidência! 

Bjo enooooorme (pode ser com vcs paradinhos, daí seria beijo passivo?) e até a próxima!!!!

Posts Relacionados

Prática baseada em evidência em fisioterapia respiratória.
Os recursos, manobras e técnicas em fisioterapia respiratória...
As terapias de expansão pulmonar
Fisiointensiva
Redes Sociais

© 2019 - Fisiointensiva - Todos os Direitos Reservados